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Falta agency: o que as startups buscam e ninguém te conta

Semanas enviando bons perfis para uma YC company. Todos rejeitados. Quando perguntei por quê, a resposta foi curta e me deixou pensando por vários dias: 'Falta agency neles.'

4 min de leitura

Na Nodi, conectamos talento com startups. Fazemos isso todos os dias: revisamos perfis, fazemos entrevistas, entendemos do que cada time precisa e buscamos a pessoa certa para aquele momento específico.

E nesse processo aprendemos coisas que nenhum job board vai te ensinar.

Uma das mais importantes ouvi há um tempo de um co-founder de uma YC company. Fazia semanas que estávamos enviando candidatos para uma posição de software engineer. Bons perfis, com experiência sólida, referências limpas. E todos eram rejeitados. Um atrás do outro.

Perguntei por quê.

A resposta dele foi curta e me deixou pensando por vários dias: "Falta agency neles."

O que é agency?

Não é uma palavra fácil de traduzir para o português. Não é iniciativa, não é ambição, não é atitude positiva. É algo mais específico, e mais raro.

Uma das melhores formas de entender vem de George Mack, que descreve com uma pergunta simples:

> Imagine que você acorda em uma cela de prisão em um país do terceiro mundo. Você só pode ligar para uma pessoa para tirar você de lá. Para quem você liga?

Pense nisso. A pessoa que você escolheu tem algo. Uma faísca. Uma capacidade de mover o mundo mesmo quando o mundo diz que não dá. Isso é agency.

Não é otimismo. O otimista diz que o copo está meio cheio. A pessoa com alta agency diz que ela é a torneira, que pode enchê-lo.

E no mundo das startups, essa diferença é tudo.

Por que as startups contratam diferente

Uma empresa grande pode se dar ao luxo de contratar alguém que executa bem dentro de um sistema que já funciona. Há processos, há gerentes, há documentação. O trabalho está definido.

Em uma startup, especialmente nas etapas iniciais, nada disso existe. Ou existe pela metade. Ou muda na semana que vem.

O que um time early-stage precisa não é alguém que espere instruções. É alguém que veja um problema, decida que ele precisa ser resolvido, e o resolva, mesmo que ninguém tenha pedido explicitamente. Mesmo que implique aprender algo novo. Mesmo que implique incomodar alguém com uma opinião diferente.

Quando o co-founder me disse "falta agency neles", o que ele estava me dizendo era: esses candidatos são bons funcionários, mas não são os jogadores de que preciso neste momento.

Como a alta agency se manifesta na prática

Não é um traço de personalidade abstrato: dá para notar e dá para observar.

A pessoa com alta agency não espera a permissão perfeita para agir. Quando enfrenta um obstáculo, a mente dela não para no "não dá", e sim abre uma segunda conversa interna: como eu contorno isso?

Ela se faz perguntas diferentes. Em vez de "o que eu tenho que fazer?", pergunta "o que deveria acontecer aqui, e o que eu posso fazer para que aconteça?"

Tem um viés para a ação. Não rumina indefinidamente. Prefere lançar, aprender e corrigir a esperar o momento perfeito que nunca chega.

E quando alguém em uma posição de autoridade diz que algo não é possível, isso não é o fim da conversa. É o começo de outra.

A pergunta que muda a entrevista

Desde aquela conversa, na Nodi começamos a prestar mais atenção nisso quando avaliamos candidatos para startups.

Não perguntamos diretamente "você tem alta agency?" Ninguém vai dizer que não.

Mas buscamos histórias. Momentos em que algo não estava definido, algo não funcionava, algo precisava de alguém que assumisse o ownership, e essa pessoa foi o candidato que temos à nossa frente.

Você já identificou um problema antes que pedissem? O que fez com isso?

Quando foi a última vez que disseram que algo não podia ser feito, e você fez mesmo assim?

As respostas a essas perguntas dizem muito mais que o currículo.

Por que isso importa agora

Vivemos um momento em que o ecossistema de startups na América Latina está amadurecendo. Há mais capital, mais founders com experiência, mais talento técnico disponível.

Mas o filtro que separa os times que avançam dos que estagnam não é só técnico. É de mentalidade.

As startups que vencem são as que têm pessoas que não esperam que outra pessoa resolva o problema. Que não se paralisam quando não há um manual. Que entendem que, em uma etapa inicial, a clareza não vem antes de agir, e sim depois.

É isso que buscamos quando conectamos talento com startups na Nodi. Não só skills. Agency.